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27 de mar de 2013

A ciência das redes

Por: Carlos Nepomuceno
Em: http://imasters.com.br/artigo/24309/tendencias/a-ciencia-das-redes/


É como se as teorias de plantão se concentrassem apenas nas partes e não no todo. Na teoria das redes, a informação, a comunicação e o conhecimento se encaixam com mais harmonia e de forma integrada.
Depois de muito caminhar, fui chegando sem querer a uma conclusão.
Como todas as conclusões humanas, a primeira de forma intuitiva e depois consolidando racionalmente.
Fiz comunicação na graduação.
E mestrado e doutorado em Ciência da Informação.
São áreas que me ajudaram muito a chegar a algumas conclusões relevantes sobre o cenário atual e como apoiar meus clientes e alunos a se adaptar e a mudá-lo.
Porém, não é de hoje, que tenho sentido um certo desconforto nesses dois campos de estudo, incluindo outro depois de gestão de conhecimento, no qual dou aula há alguns anos.
Quando se fala em informação, o pessoal da comunicação sai da sala e vice-versa.
Digo o mesmo para a turma da gestão do conhecimento.


São ciências pré-internet que criaram seus vícios, suas tribos, seus dialetos.

Porém, quando surge na Ciência um fato novo, tal como as redes digitais é preciso:
  1. analisar se as teorias de plantão dão conta de responder ao fenômeno de forma eficaz;
  2. caso não, procurar novas teorias que o façam.
Teorias, é bom lembrar, são ferramentas humanas para compreender a realidade.
Não somos escravos delas, ao contrário, elas devem nos servir para que possamos avançar na nossa compreensão da realidade – algo sempre mutante e “impegável”.
Não gostam de se falar, criando alguns problemas práticos – às vezes, incontornáveis.
Sentia necessidade de me ancorar em um novo porto (teoria), algo com menos vícios e mais transdicliplinaridade, que ajudasse a ver melhor para onde estamos indo.
Comecei a usar o termo circulação de ideias para evitar as expressões circulação de informação ou comunicação, pois caía de novos nas terríveis caixas separadoras.
Senti isso mais profundamente quando fiz um projeto para um cliente grande, no qual tínhamos que classificar as 200 e tantas redes que já apareciam por todos os lados.
As redes foram sendo criadas, à margem da organização oficial.
Para poder fazer essa classificação, antes de tudo, tivemos que enxergar a organização do cliente como uma grande rede para poder compará-la as redes que estavam surgindo naturalmente dentro e fora da estruturas, em busca de mais dinamismo, velocidade, inovação e flexibilidade.
Na verdade, em vez de ver essas novas redes como anomalia, como acaba acontecendo, começamos a vê-las como o caminho futuro dos ambientes da organização.
Para isso, precisamos usar e partir de um novo ponto de vista.
É preciso pensar a rede como o ponto central de partida e não algo periférico, pois o mundo parece hoje – talvez como tenha sempre tenha sido e não víamos – como uma grande rede se interconectando.
É como se as teorias de plantão se concentrassem apenas nas partes e não no todo.
E a visão de rede pudesse ajudar por enquanto e mais do que outras que não a colocam no centro das mudanças.
Na teoria das redes, a informação, a comunicação e o conhecimento se encaixam com mais harmonia e de forma integrada.
Não são áreas separadas, assim, mas integradas na mesma floresta.
O que dá margem mais fácil para construir uma metodologia de implantação mais eficaz, na qual a informação, a inovação, a comunicação, a gestão do conhecimento não sejam vistas de forma separada.
Ou seja, era mais eficaz e rápido pensar o mundo como uma grande network para entender o movimento das redes digitais internas e externas da organização, como sendo essa a visão de futuro.
Escrevi aqui sobre a ideia de que é preciso criar uma sinergia entre a filosofia, a teoria e a metodologia para que uma dada organização tenha a geração de valor.
Acredito que a teoria das redes e a gestão das redes, hoje, podem ser muito mais poderosas do que o modelo que temos antes compartimentado entre várias teorias que não se falam muito e acabam formando uma república teórica para modelar a gestão.
Outro fato interessante é que uma nova ciência e uma nova metodologia podem tirar os atores de suas caixas e permitir que todos possamos ver como o conhecimento de cada um possa se articular de novo fora das especializações.
Hoje, com a necessidade de se introduzir um modelo de redes sociais nas organizações (tanto dentro como fora), toda a visão da organização que for não-rede dificulta muito essa passagem e adoção.
Podemos dizer, se entrarmos nessa conversa, que as organizações são:
  • redes;
  • redes com uma topologia com muitos intermediadores, controlando os fluxos;
  • e que é preciso uma nova topologia para ir eliminando os intermediadores obsoletos.
Note que não é acabar com eles, mas eliminar o que está atrapalhando.
O objeto da ciência ser redes e, no caso do meu interesse específico, redes humanas nas organizações.
Temos um largo campo de estudo pela frente e uma missão que é criar projetos em que a mudanças das topologias das redes humanas (e não tecnológicas) sejam o eixo central da mudança.
O que está longe de ocorrer nos projetos de gestão que estão em pauta nas organizações.
Assim, se as organizações querem se adaptar a esse mundo mais ágil e muito mais com cara de rede, precisam de uma filosofia que seja mais aberta, mais construída a partir do diálogo, da sinergia, com as partes ajudando a construir o todo.
Uma teoria que depois possa ser mais eficaz, mais ampla, capaz de articular os diferentes projetos de gestão com seus sub-projetos: de informação, de inovação, de conhecimento,  de comunicação, de marketing etc., fazendo parte de uma grande rede.
E, por fim, uma metodologia, que podemos chamar gestão por redes.
Que me parece mais eficaz do que pensarmos em gestões por partes que não se pensam como um todo.
E aí as coisas se encaixam de forma mais rápida e eficaz – fazendo uma grande passagem para um mundo mais em rede do que víamos antes.
Acredito que é para lá que as organização devem e vão seguir – e, portanto, para onde estarei indo para ajudá-las.

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